Combustíveis fósseis

Os combustíveis fósseis são a principal fonte de energia mais utilizada pelas sociedades modernas. Atualmente, o petróleo e o gás cobrem quase 90% da demanda energética da Argentina.

Combustíveis fósseis como recurso energético

Hidrocarbonetos (petróleo e gás) e carvão (hidrocarboneto sólido) são chamados de combustíveis fósseis. Esses recursos foram formados a partir de matéria orgânica de plantas, microrganismos, bactérias e algas, que por meio da fotossíntese transformaram a energia eletromagnética do sol em energia química. Essa matéria orgânica, acumulada há centenas de milhões de anos no fundo de lagos ou mares com muito pouco oxigênio, foi então coberta por sucessivas camadas de sedimentos. Assim, a crosta terrestre funcionava como uma grande “cozinha geológica”. A matéria orgânica se aquece, transformando-se em compostos orgânicos mais simples do que por diferentes processos tectônicos e sedimentares, migrando da “cozinha” e ficando presa na crosta terrestre.

Os combustíveis fósseis são recursos não renováveis, o que implica que são volumes finitos que, uma vez produzidos e utilizados, não são reutilizáveis ​​e não podem ser gerados pela natureza ou pela ação humana na escala em que são utilizados.

A humanidade sabe da existência de combustíveis fósseis há milhares de anos. No entanto, foi somente com a invenção da máquina a vapor e o desenvolvimento da Revolução Industrial que o carvão começou a ser usado em quantidades significativas. Posteriormente, com a invenção do automóvel e do motor de combustão interna, o petróleo passou a ser a principal fonte de energia para o transporte terrestre e marítimo, ao mesmo tempo que possibilitou o desenvolvimento da aviação.

Hoje, junto com o gás natural, o petróleo tornou-se o recurso energético fundamental das sociedades. Fontes alternativas para substituí-lo ainda não foram encontradas.

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O petroleo

O petróleo é caracterizado por sua alta densidade de energia, ou seja, pela quantidade de energia que contém por litro, e pela facilidade de transporte e armazenamento. E além de seu uso como combustível, é matéria-prima fundamental para a indústria petroquímica, que produz plásticos, cosméticos, tecidos sintéticos, tintas, pneus, remédios, fertilizantes, agrotóxicos e inúmeros objetos do cotidiano.

Gás natural

O chamado gás natural é um hidrocarboneto composto principalmente de metano, que tem origem associada ao petróleo e compartilha muitas de suas propriedades energéticas, embora seja mais difícil de armazenar e transportar. Seu uso se expandiu na Argentina na década de 1970, com a descoberta do megacúmulo Loma la Lata, em Neuquén. Hoje, mais da metade da energia que nosso país consome vem do gás (58%); é o combustível mais utilizado nas residências, na indústria e na geração de eletricidade.

Carvão

O carvão é uma rocha sedimentar organogênica muito rica em carbono e outros elementos como hidrogênio, enxofre, oxigênio e nitrogênio.

Atualmente, em todo o mundo, é utilizado principalmente para a geração de eletricidade e em algumas indústrias como fonte de energia. A Argentina não produz quantidades significativas e é muito pouco aproveitada, já que o carvão da jazida de Río Turbio (99% das reservas) tem baixa densidade energética. Isso influenciou a Argentina a optar pelo uso do gás como principal fonte de energia, com os benefícios ambientais que seu uso implica em relação ao carvão.

Produção de hidrocarbonetos na Argentina

Na Argentina existem cinco bacias produtivas de hidrocarbonetos: as bacias Golfo de San Jorge, Neuquina, Noroeste, Cuyana e Austral.

A produção média anual é de 30 milhões de metros cúbicos de óleo (80% vem do convencional e 20% vem do não convencional) e 40 bilhões de metros cúbicos de gás por ano (58% vem do convencional e 42% vem do não convencional), que são transportados por redes de dutos e sistemas de transporte para refinarias e plantas de tratamento de gás localizadas em diferentes partes do país. São estes os encarregados de produzir os derivados que posteriormente são distribuídos para comercialização.

A produção convencional de hidrocarbonetos tem um século de história em nosso país. Atualmente 80% da produção nacional vem de depósitos convencionais.

A produção convencional de hidrocarbonetos envolve três tipos de exploração de reservatórios de acordo com as condições do campo a ser desenvolvido:

Recuperação primária: desenvolvimento do campo com a energia natural do reservatório explorado.

Recuperação secundária: desenvolvimento do campo utilizando técnicas de injeção de água.

Recuperação terciária: desenvolvimento do campo utilizando técnicas de injeção de polímero, injeção de vapor. entre outras tecnologias.

Os reservatórios convencionais maduros, ou seja, aqueles que estão em produção há muitos anos, conseguem conter o declínio da produção e até mesmo aumentar a produção dos campos por meio da implementação de recuperação secundária e recuperação terciária.

50% do hidrocarboneto convencional produzido na Argentina vem de recuperação secundária.

Recentemente, a recuperação terciária começou a ser implementada em campos maduros. Exemplo disso na bacia do Golfo San Jorge é o campo de Manantiales Behr, que bateu recorde de produção em 2020.

Hidrocarbonetos não convencionais

O aumento do consumo mundial e o declínio natural da produção dos campos maduros têm forçado a expansão das fronteiras dos hidrocarbonetos em busca de novos recursos para garantir o abastecimento.

Os chamados recursos não convencionais começam a ser explorados, como óleo e gás que estão alojados em formações de baixa permeabilidade e porosidade, que requerem tecnologias específicas e custos mais elevados para o seu desenvolvimento (perfuração de poços horizontais com múltiplos estágios de fraturamento hidráulico). Conhecidos como shale gas e shale oil, esses novos empreendimentos já fornecem 40% do gás e 25% do petróleo produzidos em nosso país. A Argentina possui uma grande quantidade de recursos de hidrocarbonetos não convencionais, o que permitirá ao país garantir a autossuficiência de forma sustentada.

A indústria de petróleo e gás

O desenvolvimento dos recursos de petróleo e gás requer várias etapas que, embora relacionadas, possuem diferentes processos e equipamentos. Essas etapas são geralmente agrupadas em duas grandes áreas, chamadas de upstream (exploração e produção) e downstream (transporte de matérias-primas, refino de petróleo bruto e tratamento de gás, distribuição e comercialização de produtos).